ilustrações do livro A viagem de Volta

A VIAGEM DE VOLTA – UM LIVRO NOSSO O livro de crônicas A Viagem de Volta, do escritor J.A. Rezzardi, com ilustrações de Marco Jacobsen, agrada pela sua simplicidade, humor, nostalgia e, sobretudo, pela intenção agradabilíssima de relatar o simples. Fazer crônicas é complicado. Não é fácil escrever um relâmpago de texto, porém completo. E é exatamente aí que está o desafio para Rezzardi, que as constrói com equilíbrio, desequilíbrio e novamente equilíbrio sóbrios num piscar de olhos. Longe de aprofundamentos intimistas e introspectivos, o seu texto é típico de um “contador de histórias”, consciente do que faz e dos seus limites, sem falar que seria impossível imaginar um cronista dessa natureza que não estivesse de bem com as palavras e com a vida. Rezzardi nos dá uma lição de otimismo - através da Literatura - num tempo de tragédias, guerras e catástrofes sociais, ao mesmo tempo em que cada uma das suas crônicas nos remete à necessidade de o homem recuperar cada vez mais o seu contato com a sensibilidade que, com certeza, todos temos. Assim, fez bem em escrever, melhor ainda em publicar. Mostra-se um leitor atento, afinal, metaforizando o texto com a agricultura, sem semente não há plantação alguma. Não bastasse o seu interesse pela leitura universal, quando se refere a outros escritores, teve a característica primordial a todos que pretendem publicar alguma coisa: humildade. Lá vai o cronista “carpindo”, “arando” a cada instante do seu passado uma sincera nostalgia, traduzindo muitas lembranças em linhas capazes até mesmo de fazer o leitor ter um pouco de saudade, ainda que não tenha vivido os acontecimentos como o autor. Para quem não sabe, narrar - em Literatura - não significa apenas contar, mas prender e encantar. O texto é bom e flui de uma veia poética que parecia estar incubada em Rezzardi. Pode-se perceber claramente que ele escreve como quem toma um remédio para ficar bem. Não sei se é verdade, mas as crônicas parecem incomodá-lo até que ele se livra delas ao preencher cada branco de página, para, depois, sentado em uma praça ou em sua casa, contemplá-las com carinho de pai. Despretensioso, diletante, nas melhores acepções do verbo. Na verdade, demorei alguns dias para descobrir as palavras certas para (in)definir o escritor de A Viagem de Volta. Talvez esteja aí o seu grande valor. Por isso, recomendo o livro, pois a boa Literatura deve nascer despretensiosa sempre. Um livro assim é como uma pescaria para quem está estressado, com a vantagem de poder ler uma crônica por dia e ficar 40 dias “pescando” boas risadas. Uma quarentena espontânea e saudável. Então, seja com o Pedro da Papuda, com a Uma quase Viúva ou com qualquer outro personagem, boa viagem de ida à leitura. Irineu S. Ferraz – Professor de Língua e Literaturas da Língua Portuguesa -Mestre em Letras pela Universidade Federal do Paraná. 
Escrito por marco jacobsen às 14h30
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